terça-feira, 15 de abril de 2008

Ingenuidade...

Continuamos explorando o templo, apesar de já termos derrotado o gnoll. A maioria do grupo queria ficar para destruir o espírito que nós deixamos sair livre, menos o Crinti e eu.

Rodei por vários corredores e escadas e nada encontrei, me separei do grupo (que coisa estúpida penso agora... Iganthor poderia morrer sem eu estar presente...). Por fim, vi o mago correndo desesperado, soube que algo muito ruim acontecera! Ele me explicou que nosso Gotek, um dos aprendizes mais promissores da Igreja do Cajado Cinzento, havia sido transformado numa aparição. Meu sangue gelou por segundos, perguntei a direção e corri até lá. Encontrei Iganthor no caminho, meu Lorde estava á salvo ainda, porém não vi Vael e perguntei se o mesmo tinha perecido.

Ele estava de guarda em frente a um poço de onde se ouvia o espírito do nosso amigo berrando, e aquilo me encheu de tristeza. "Meu treinamento foi pouco" pensei, não pude salva-lo, a idéia de separar o grupo foi péssima, como eu não percebi isso a tempo? Mas então só restava lamentar e partir desse lugar maldito. Mas trarei o clérigo de volta! Se a magia é tão assim poderosa, como eu já vi que era, e que é, ela é capaz de levantar os mortos também!

Antes de ir, Vael comentou sobre o lugar de onde surgiam as vinhas assassinas, e nós cavamos lá e achamos ovos estranhos. Levamos o espólio até as Torres Neth. Nosso senhor, o Woe Comus, nos perguntou o que aconteceu, e relatamos, mas quando mostramos os objetos ovais, ele se assustou, criou um círculo mágico em nossa volta nos disse como havíamos sido ingênuos. Ele estava sério demais mesmo para um mago em fúria. Seja lá o que aquilo for, o simples nome traria fúria ao ser mencionado: "Phaerimm". Aquilo era um ovo de alguma criatura, tinha uma forma estranha, indescritível...

O Comus dispôs de forma segura dos ovos” e eu, que já não estava confortável com a situação de perder um companheiro de grupo, fiquei pior, pois agora eu havia permitido que uma praga chegasse até nossa terra. Fomos postos em quarentena e fomos examinados por todos. Nos próximos três dias ficamos isolados e depois fomos chamados para uma reunião com Comus Pulgro. Eu estava por demais nervoso com a situação, aquilo parecia demais para mim: trazer uma criatura ancestral à vida sem querer? Na minha primeira missão? Que diabos de guerreiro sábio eu sou? Certamente isso ficou visível na reunião e o Comus me pediu para que eu saisse, falando que eu fui mal treinado. Agora sim eu tenho certeza que eu vou ser jogado no fundo de um poço.

Realmente, algo falta em mim. Tenho que buscar isso e rápido! Alem disso, TENHO QUE APRENDER COMO DESTRUIR SERES IMATERIAIS, isso é PRIMORDIAL! Tenho que ficar mais forte, tenho que ser mais sábio, tenho que pensar mais. Treino nos templos podem até ajudar, mas preciso de algo mais rápido e potente que isso.

No outro dia, eu já estava me arrumando para peregrinar de volta ao templo de Meruhal quando Vael veio conversar comigo sobre treinar sobre outras condições, com coisas diferentes, pessoas diferentes e formas diferentes. Além de aceitar a morte mais facilmente, dado que isso é uma constante na nossa vida. Esse foi um ponto de controvérsia entre eu e ele, porque pra mim, o clérigo morreu por incompetência minha e eu preciso tirar esse peso de meus ombros.

Entretanto, aceitei o convite dele, talvez as formas de treino deles sejam mais abrangentes e rígidas do que as que eu tive e quem sabe com seus superiores eu não aprenda a destruir espíritos também? A viagem prosseguiu quieta pela Muralha Oriental, ao sudeste de Maeruhal. Não conversávamos, pois Vael dizia que eu deveria aprender a saber quando falar. Noosa jornada se deteve um penhasco que nem o monge mais hábil transporia, pode apostar. Entreolhamos-nos e montamos acampamento, aproveitando a brisa quente e a noite clara das montanhas.

Mais tarde sentimos os ventos aumentarem e por fim ouvimos os barulhos de asas: um leão com cara humana e asas pairava sobre nós. Nunca tinha visto tamanha grandiosidade, e ele exalava algum tipo de aura, como se fosse o ser mais sábio e bom que eu já tivesse visto, além de majestoso. Vael parece ser acostumado com esse tipo de ser, pois não se impressionou. Ele ofereceu nos levar até o ponto que Vael treinaria. Eu não entendi muito bem, mas pelo que ele disse, seria com um Agama, um dragão dourado! O que um dragão pode ensinar a alguém que sequer foi capaz de ser um mago?

Não encontrei dragão algum, só uma mulher belíssima e de incrível gentileza. Ela nos ouviu e me instruiu na grandiosidade que um Phaerimm representa e no quão catastrófico isso seria para nosso mundo. Nos dias seguintes ela me treinou a destruir espíritos; seu nome era Ophonibeau. Não sei o que foi, mas o fato de estar na presença de um ser muito mais estudado fez com que eu visse as coisas com mais clareza. Comecei a notar o fluxo de energia que fluía em cada ser, inclusive no meu e finalmente aprendi a manipular essa energia seguindo os ensinamentos dela. Meu teste final foi derrotar uma aparição conjurado por ela utilizando essa energia. Teria ela sido parte de alguma academia algum dia de sua vida também? Afinal, dragões vivem muito tempo, eles poderiam até ter criado as primeiras academias, quem sabe...

Perguntei também se seria possível trazer meu amigo de volta, ela simplesmente disse que não. Quando eu indaguei sobre o poder da magia, que todos se firmavam no poder da mesma, ela falou que era possível sim, mas somente um dos mais altos magos de Azuth de incrível poder para realizar tal milagre. Eu suspirei.

"Ainda há esperança".

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